Catarata

1- O que é Catarata?

O termo “catarata” é dado para qualquer tipo de perda de transparência do cristalino, lente situada atrás da íris (Figura), seja ela congênita ou adquirida, independente de causar ou não prejuízos à visão. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a catarata é responsável por 47,8% dos casos de cegueira no mundo, acometendo principalmente a população idosa.

Então, o que é uma pele que recobre o olho? A “pele” que recobre o olho externamente e que muitos confundem com a catarata, é chamada de pterígio, que na verdade, é uma degeneração da conjuntiva e pode ter ou não indicação cirúrgica.

2- Quais são as causas da catarata?

A catarata é uma doença multifatorial e pode ser congênita ou adquirida. A causa mais comum da catarata é o desgaste do cristalino que ocorre pela idade, denominada de catarata senil. Porém, também poderá estar associada a alterações metabólicas que ocorrem em certas doenças sistêmicas (ex. Diabetes Mellitus), oculares (ex. uveíte), tabagismo, alcoolismo, secundária ao uso de certos medicamentos (ex. corticoides) ou a trauma ocular (contuso, perfurante, por infravermelho, descarga elétrica, radiação ultravioleta, raios X, betaterapia ou queimaduras químicas graves).

3- A catarata acomete sempre os dois olhos?

A catarata pode acometer apenas um – ou ambos os olhos – dependendo de sua causa. A catarata relacionada à idade, doença sistêmica ou ao uso de corticosteroides sistêmicos, geralmente é bilateral e assimétrica, ou seja, pode estar mais avançada em um dos olhos. Poderá ser unilateral se for secundária a doença ocular, ou ao trauma do olho acometido.

4- Quais são os sintomas da catarata?

Na maioria das vezes a catarata não pode ser diagnosticada a olho nu e nem mesmo é percebida facilmente pelos próprios portadores da catarata na sua fase inicial. Os principais sintomas da catarata são: sensação de visão embaçada, alteração contínua da refração (grau dos óculos), maior sensibilidade à luz, espalhamento dos reflexos ao redor das luzes e percepção que as cores estão desbotadas. Geralmente há uma piora da miopia com redução da visão em baixo contraste e baixa luminosidade principalmente para longe, comparativamente à visão para perto. Somente o oftalmologista poderá solicitar os exames necessários para a confirmação do diagnóstico, bem como, indicar o melhor procedimento cirúrgico para tratamento.

5- Há alguma medida preventiva para evitar que a catarata se instale?

Não há como evitar a predisposição genética e nem o envelhecimento do cristalino. Porém, algumas medidas preventivas podem ser realizadas visando reduzir alguns fatores de risco para o desenvolvimento da catarata. Reduzir o tabagismo e proteger-se contra a radiação ultravioleta (principalmente UVB) e traumas, controlar o diabetes Mellitus e evitar o uso de corticoides são cuidados que podem ser eficazes na prevenção da catarata. É fundamental ter consciência dos perigos da automedicação.

6- Existe Algum tratamento clínico para a catarata?

Não, o único tratamento eficaz para a catarata é a cirurgia.

7- Apenas pessoas idosas precisam ser submetidas à cirurgia de catarata?

A recomendação de tratamento cirúrgico para portadores de catarata não está relacionada à idade do paciente, e sim ao seu comprometimento visual. Qualquer portador de catarata deve ser submetido a cirurgia desde que tenha sua capacidade ocular prejudicada pela doença e apresente condições de recuperação pós-cirurgia.

8- Existe cura para a catarata?

Sim, a deficiência visual causada pela opacificação do cristalino pode ser revertida com tratamento cirúrgico, no qual a lente natural opaca é removida e substituída por uma lente artificial transparente, chamada de lente intraocular.

9- Em que consiste a cirurgia de catarata?

A cirurgia de catarata consiste da remoção do cristalino opaco e sua substituição por uma prótese transparente (lente intraocular) para possibilitar melhor passagem dos estímulos luminosos para o interior do olho – que é denominada facectomia – com implante de lente intraocular.

10- A cirurgia de catarata é muito arriscada?

A cirurgia de catarata é a cirurgia mais realizada na oftalmologia, e foi uma das técnicas cirúrgicas que mais evoluiu nas últimas décadas. Há pouco mais de 30 anos, era realizada sob anestesia geral, onde a catarata era removida através de uma incisão ampla, seguida por implante de lente intraocular rígida e múltiplas suturas do globo ocular. Atualmente, a incisão é de cerca de dois milímetros, e a catarata é emulsificada (fragmentada) em pequenos pedaços e aspirada por um aparelho chamado de facoemulsificador e a lente intraocular é dobrável. A incisão de pequeno tamanho e arquitetura auto selante, geralmente, dispensa a utilização de suturas.
Trata-se de um procedimento microscópico de alta complexidade que é muito seguro, porém, como qualquer procedimento invasivo, não é isento de riscos. A tecnologia atual e a experiência do cirurgião reduzem muito esse risco. A saúde geral e ocular do paciente, bem como sua história familiar, são fatores que influenciam diretamente o resultado cirúrgico. Além disso, é fundamental que o paciente siga as orientações pré e pós operatórias de seu oftalmologista para minimizar os riscos.

11- Como posso ter certeza se é o momento certo para operar a catarata ou se posso esperar mais alguns anos?

Na técnica cirúrgica antiga, denominada extracapsular, em que se removia a catarata sem fragmentá-la, havia o consenso de se aguardar a catarata evoluir (amadurecer) para se indicar a cirurgia, pois o procedimento era mais invasivo e sua recuperação mais prolongada, com maiores riscos para o paciente. Com o advento da facoemulsificação, houve uma mudança nesta abordagem, evitando-se que a catarata chegue a um estado muito avançado, pois a sua rigidez dificultará a sua aspiração, aumentando o risco de complicações cirúrgicas e o tempo de recuperação pós-operatório.
A indicação mais frequente da cirurgia de catarata é o desejo por parte do paciente de enxergar melhor. Entretanto, em determinadas circunstâncias, pode ser necessário partir do oftalmologista a indicação, visando tratar ou evitar complicações decorrentes da presença do cristalino doente, opaco e/ou de volume aumentado, ou ainda para possibilitar a avaliação e tratamento de doenças da retina e do nervo óptico.

12- Devo operar os dois olhos simultaneamente ou um de cada vez?

O intervalo de tempo entre a cirurgia de catarata do primeiro para o segundo olho varia muito conforme o cirurgião, porém, existe de um modo geral, um consenso de se evitar a realização da cirurgia de catarata bilateral simultânea. O resultado do primeiro olho poderá servir como base para melhor programação da próxima cirurgia.

13- Que tipo de anestesia é usada na cirurgia de catarata?

A anestesia é local, podendo ser realizada somente com gotas anestésicas ou através da injeção de pequena quantidade de anestésico local na região inferior da órbita, técnica denominada bloqueio peribulbar, onde o globo permanece sem movimento e sem sensibilidade. O paciente pode se manter lúcido ou ligeiramente sedado. A anestesia é sempre realizada por profissional habilitado, médico anestesista, que também é o responsável pelo acompanhamento clínico do paciente durante o procedimento, com monitorização cardíaca e oximetria de pulso ao longo da cirurgia. Nos casos de catarata em crianças ou adultos com dificuldades de controle dos movimentos ou de compreensão, a anestesia deve ser geral.

14- É verdade que a cirurgia de catarata é um procedimento simples e que pode ser realizada em poucos minutos?

A cirurgia de catarata não é um procedimento simples. De fato, o avanço dos equipamentos e das técnicas possibilitaram a redução no tempo de cirurgia da catarata, porém trata-se de um procedimento complexo, cuja curva de aprendizado é longa. O cirurgião deverá ter a habilidade de operar olhando através de um microscópio de alta definição, com instrumentos delicados em ambas as mãos que são usados na manipulação da catarata e com pedais de controle do facoemulsificador e do microscópio, um em cada pé. O aparelho facoemulsificador possui diversos parâmetros que deverão ser ajustados conforme a experiência e técnica utilizada pelo cirurgião e dependendo do grau da catarata a ser operada.

15- Tenho miopia. A cirurgia de catarata resolverá este problema também?

Atualmente a cirurgia de catarata tem o potencial de corrigir o grau de olhos míopes, hipermetropes e astigmatas através das modernas lentes intraoculares. Porém, temos que ressaltar que esta correção vai depender de múltiplos fatores como a técnica cirúrgica, cicatrização do paciente e principalmente o cálculo dos implantes intraoculares.

16- Qual é a melhor lente intraocular disponível atualmente?

O oftalmologista saberá indicar o melhor tipo de lente intraocular para cada caso.

17- A lente intraocular pode se deslocar depois de implantada?

Em situações normais, o deslocamento da lente intraocular é algo muito raro. Existem casos em que esse evento tem mais chances de ocorrer, e seu oftalmologista deverá lhe orientar sobre o assunto.

18- Após a cirurgia é preciso usar óculos?

É necessário entender a diferença entre independência dos óculos e eliminação total do grau. Mesmo com independência, pode haver necessidade de utilização de óculos para determinadas atividades. Além disso, características pessoais, oculares e das lentes intraoculares recomendadas para cada situação interferirão na maior ou menor independência dos óculos.

19- Quais exames preciso fazer antes da cirurgia?

As orientações específicas quanto aos exames clínicos e oculares serão fornecidas pelo oftalmologista responsável.

20- Quais são os cuidados que devo ter no pós-operatório?

As orientações sobre os cuidados pós-operatórios são específicas para cada caso e serão fornecidas pelo oftalmologista responsável.

21- Quanto tempo leva para a visão voltar ao normal após a cirurgia?

A melhoria da visão está diretamente relacionada com a intensidade da inflamação do olho e a capacidade individual de recuperação dessa inflamação. A resposta inflamatória pode se manifestar com intensidades diferentes dependendo do grau evolutivo em que se encontrava a catarata e as condições de recuperação da córnea, retina e demais estruturas oculares do paciente. Diabetes e outras alterações também podem interferir na recuperação. O mais comum é a visão ficar embaçada nos primeiros dias de pós-operatório, ocorrendo uma recuperação progressiva ao longo dos próximos dias. Em alguns pacientes pode ocorrer uma rápida recuperação e a visão melhorar imediatamente após o procedimento, já em outros, a visão pode melhorar de forma lenta, demorando alguns meses. Em ambos os casos, a cirurgia pode ter sido idêntica, mas a capacidade de recuperação da inflamação individual é que faz a velocidade de melhora ser diferente. A variação no tempo de recuperação da visão pode ser diferente entre os olhos do mesmo paciente. A observação de uma melhora progressiva, dia após dia, é um importante sinal que está ocorrendo tudo bem no pós operatório.

22- Existe risco da catarata voltar após a operação?

Não. Uma vez retirada e substituída por uma lente intraocular, a catarata não voltará mais. O que pode ocorrer em alguns casos é um processo de fibrose na membrana que serve como suporte para lente intraocular. Dependendo da intensidade dessa fibrose a membrana pode se tornar opaca, prejudicando a visão. Para resolver essa opacidade, é recomendo um procedimento denominado de capsulotomia por Yag LASER. Este procedimento é realizado em caráter ambulatorial, é indolor, e quando indicado, traz melhora significativa da visão.

23- A cirurgia tem efeitos colaterais?

Sim. Efeitos colaterais temporários podem estar presentes mesmo após cirurgia bem realizadas. Sensação de areia e fotofobia (incômodo com ambientes claros) são os mais comuns. Com a cicatrização e adaptação, essas queixas vão sendo amenizadas e resolvidas.